mirar,
mirante,
miramar,
mar,
mirante,
minarete,
mirar,
miramar,
mar.
20 Dezembro 2005
19 Dezembro 2005
Clarice Lispector
"Mas há vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser
vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."
“Mas há a Vida”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 539.
se alguém quizer me dar este livro de presente de natal... ah...uh...teria minha gratidão eternamente!
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser
vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata."
“Mas há a Vida”, in: A Descoberta do Mundo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984, p. 539.
se alguém quizer me dar este livro de presente de natal... ah...uh...teria minha gratidão eternamente!
consciência...
conscientemente...
bato a cabeça na parede,
pra sentir dor;
conscientemente...
chuto a porta de ferro,
sólida,
pra meus dedos quebrar;
conscientemente...
passo a faca cortante, em meus dedos,
pra ver o sangue jorrar;
conscientemente...
falô mil besteiras ao seu ouvido,
pra te irritar;
conscientemente...
escrevo essas beisteiras,
pro tempo passar.
bato a cabeça na parede,
pra sentir dor;
conscientemente...
chuto a porta de ferro,
sólida,
pra meus dedos quebrar;
conscientemente...
passo a faca cortante, em meus dedos,
pra ver o sangue jorrar;
conscientemente...
falô mil besteiras ao seu ouvido,
pra te irritar;
conscientemente...
escrevo essas beisteiras,
pro tempo passar.
16 Dezembro 2005
poeira...
estamos velhos e sujos,
gastos,
e com poeira no nariz,
flores brotam de nossas orelhas,
e de nossa boca, jorra palavras,
do ímpeto,
como de um chafariz,
da sujeira da rua, da vida,
do desgaste do verbo,
do sujeito...
sincero pretério imperfeito...
das mazelas infinitas,
certeiras,
como a flecha na maçã,
ou na testa,
queria ser Peter Pan,
ingênua, infância, infântil,
mas continuamos fortes,
na corrida,
corrida para lugar algum,
corrida espacial,
espaço sideral,
galácticas ondas cerebrais...
que atingem o ápice,
num gesto despercebido,
agora,
pode ser...
sempre,
do simples,
para levantar poeira,
num instante qualquer.
gastos,
e com poeira no nariz,
flores brotam de nossas orelhas,
e de nossa boca, jorra palavras,
do ímpeto,
como de um chafariz,
da sujeira da rua, da vida,
do desgaste do verbo,
do sujeito...
sincero pretério imperfeito...
das mazelas infinitas,
certeiras,
como a flecha na maçã,
ou na testa,
queria ser Peter Pan,
ingênua, infância, infântil,
mas continuamos fortes,
na corrida,
corrida para lugar algum,
corrida espacial,
espaço sideral,
galácticas ondas cerebrais...
que atingem o ápice,
num gesto despercebido,
agora,
pode ser...
sempre,
do simples,
para levantar poeira,
num instante qualquer.
ilusão inerte.
estava à observar o tempo,
sentia a brisa em meus cabelos,
e os passáros a voar,
as árvores dançavam com o vento menino,
que fazia quase tudo bailar,
mas de repente,
acordo de meu sonho,
infântil,
inocênte,
estou onde sempre me encontro,
em meio a lençois coloridos...
meu leito...
por um momento,
olho a parede,
branca,
com partes da pintura a cair,
desbotada...
força do tempo...
e por um segundo,
vejo a parede sorrir,
esfrego os olhos, para enchergar melhor,
esse instante de surpresa e espanto,
procuro meus óculos,
onde estão???
não os encontro;
novamente,
por um segundo,
a parede,
sorri...
vejo em alto relevo dois braços a surgir,
me chamando, como se quisessem me abraçar;
chego perto...
chego perto para tocar, com a ponta do dedo,
a parede,
ela se mexe,
e seus supostos braços,
me envolvem...
estranho,
irreal,
sinto medo...
com a ponta da língua,
dou uma lambida,
na branca,
parede...
nessas alturas,
percebo,
que meu corpo despido,
tomou outra forma...
já não apresentava mais,
a cor rosada & morena de sempre,
estáva branco,
como a parede,
percebo também, além do meu desespero,
que minha língua também está branca...
sólida,
gélida,
inerte,
como a parede...
agora fico a observar,
minha nova forma,
branca & sólida...
gélida & inerte,
utilitária...
agora, sou parede...
sentia a brisa em meus cabelos,
e os passáros a voar,
as árvores dançavam com o vento menino,
que fazia quase tudo bailar,
mas de repente,
acordo de meu sonho,
infântil,
inocênte,
estou onde sempre me encontro,
em meio a lençois coloridos...
meu leito...
por um momento,
olho a parede,
branca,
com partes da pintura a cair,
desbotada...
força do tempo...
e por um segundo,
vejo a parede sorrir,
esfrego os olhos, para enchergar melhor,
esse instante de surpresa e espanto,
procuro meus óculos,
onde estão???
não os encontro;
novamente,
por um segundo,
a parede,
sorri...
vejo em alto relevo dois braços a surgir,
me chamando, como se quisessem me abraçar;
chego perto...
chego perto para tocar, com a ponta do dedo,
a parede,
ela se mexe,
e seus supostos braços,
me envolvem...
estranho,
irreal,
sinto medo...
com a ponta da língua,
dou uma lambida,
na branca,
parede...
nessas alturas,
percebo,
que meu corpo despido,
tomou outra forma...
já não apresentava mais,
a cor rosada & morena de sempre,
estáva branco,
como a parede,
percebo também, além do meu desespero,
que minha língua também está branca...
sólida,
gélida,
inerte,
como a parede...
agora fico a observar,
minha nova forma,
branca & sólida...
gélida & inerte,
utilitária...
agora, sou parede...
13 Dezembro 2005
o nada
isso tudo é porcaria,
despida,
da mais autêntica alegria,
tudo que escrevo são resquícios tocos,
de tocas memórias sem fim,
de toda a porcaria,
circulante,
vacilante,
desinteressada de um fim,
um fim em mim mesmo,
esse pedaço tosco,
de velhas e novas memórias,
arrependidas,
carne estragada,
podre,
arredia,
que desaba todos os dias,
em frente ao espelho,
desnuda,
entre meus pecados ordinários,
insignificantes e sem pretensões...
tudo que escrevo é porcaria,
e porcaria, se encontra,
todos os dias...
por todos os cantos,
desse mundo imundo.
despida,
da mais autêntica alegria,
tudo que escrevo são resquícios tocos,
de tocas memórias sem fim,
de toda a porcaria,
circulante,
vacilante,
desinteressada de um fim,
um fim em mim mesmo,
esse pedaço tosco,
de velhas e novas memórias,
arrependidas,
carne estragada,
podre,
arredia,
que desaba todos os dias,
em frente ao espelho,
desnuda,
entre meus pecados ordinários,
insignificantes e sem pretensões...
tudo que escrevo é porcaria,
e porcaria, se encontra,
todos os dias...
por todos os cantos,
desse mundo imundo.
12 Dezembro 2005
sentido de tudo
querer,
sempre querer,
querer de tudo,
e ter pouco a ofereçer,
esse é o sentido de tudo,
sempre queremos algo,
mesmo,
já tendo tudo,
o quê você quer agora?
mil e um bibelôs,
de vários tipos a procurar...
sem o desejo realizar;
querer sem ofertar,
querer sem dividir,
querer amar,
sem existir,
a existência é um querer infinito,
de inifinitas filosofias sobre o existir,
surreal querer do querer.
querer respirar...
querer amar,
eternamente,
querer despir,
todos os instantes,
da verdade da palavra,
proferida,
ingerida,
em doses cavalares,
de pura,
e singelas verdades,
do prazer de querer existir,
e satisfazer sem conseguir,
o querer.
sempre querer,
querer de tudo,
e ter pouco a ofereçer,
esse é o sentido de tudo,
sempre queremos algo,
mesmo,
já tendo tudo,
o quê você quer agora?
mil e um bibelôs,
de vários tipos a procurar...
sem o desejo realizar;
querer sem ofertar,
querer sem dividir,
querer amar,
sem existir,
a existência é um querer infinito,
de inifinitas filosofias sobre o existir,
surreal querer do querer.
querer respirar...
querer amar,
eternamente,
querer despir,
todos os instantes,
da verdade da palavra,
proferida,
ingerida,
em doses cavalares,
de pura,
e singelas verdades,
do prazer de querer existir,
e satisfazer sem conseguir,
o querer.
:::absolutamente:::
sinto prazer em te-los agora,
humildimente,
divido meus segredos,
latentes,
pulgente,
solvente;
que se mostram em formas transversais,
palavras escondidas,
mil e uma vogais,
vogais adestradas,
e bem tratadas...
envergonhadas,
pela presença,
sincera.
humildimente,
divido meus segredos,
latentes,
pulgente,
solvente;
que se mostram em formas transversais,
palavras escondidas,
mil e uma vogais,
vogais adestradas,
e bem tratadas...
envergonhadas,
pela presença,
sincera.
09 Dezembro 2005
amor
o amor que arruma e conserva,
destrói e preserva,
amor, que dignifica e celebra,
que embriaga e enobrece,
o verdadeiro;
sem paradeiro;
sem direção;
amor que transcende,
que ascende a alma,
que enrubesce e esvanace,
amor de corpo de alma,
dor;
paixão;
ilusão;
amor eterno,
fraterno,
sincero,
e que do ego,
altera, enriquece,
mas que diminui,
e enfurece.
aprender a odiar para amar!
destrói e preserva,
amor, que dignifica e celebra,
que embriaga e enobrece,
o verdadeiro;
sem paradeiro;
sem direção;
amor que transcende,
que ascende a alma,
que enrubesce e esvanace,
amor de corpo de alma,
dor;
paixão;
ilusão;
amor eterno,
fraterno,
sincero,
e que do ego,
altera, enriquece,
mas que diminui,
e enfurece.
aprender a odiar para amar!
08 Dezembro 2005
antologia de mim
ambígua densidade estremecida,
por desejos incompletos,
repletos de falta e intensidade,
ostentação ingênua de prazeres,
banais,
flores em meu jardim,
não brotam mais,
será uma maldição de amor???
ou duelo entre a vida e a morte?
ou a essência já está vencida?
dúvidas,
duvidosamente volátil,
essencialmente incompleta,
repleta de inconstâncias artificiais.
microfonadas lembranças minhas.
por desejos incompletos,
repletos de falta e intensidade,
ostentação ingênua de prazeres,
banais,
flores em meu jardim,
não brotam mais,
será uma maldição de amor???
ou duelo entre a vida e a morte?
ou a essência já está vencida?
dúvidas,
duvidosamente volátil,
essencialmente incompleta,
repleta de inconstâncias artificiais.
microfonadas lembranças minhas.
06 Dezembro 2005
desesperança
da grandeza infinita do vosso tédio,
para minhas questões de senso,
não senso comum,
horripilantemente real,
desejo sem fim,
fora dos vossos padrões essenciais,
despertados pela indiferença verdadeira,
de minha epiderme ao toca-los,
despertados pela sinceridade,
do toque,
revelado pela insegurança das mãos,
tremulas sem fim,
deseperadas pelo calor,
que arde,
e fere os invencíveis à desesperança!
para minhas questões de senso,
não senso comum,
horripilantemente real,
desejo sem fim,
fora dos vossos padrões essenciais,
despertados pela indiferença verdadeira,
de minha epiderme ao toca-los,
despertados pela sinceridade,
do toque,
revelado pela insegurança das mãos,
tremulas sem fim,
deseperadas pelo calor,
que arde,
e fere os invencíveis à desesperança!
regressão
esquivo-me de teus olhos,
procurando a exclusão,
de tuas regressões,
escondo-me entre as grades,
para pedir permissão,
permissão de liberdade,
e recíproca honestidade,
desanimo em minha luta corporal,
contra meus eixos sensoriais,
que permeiam minhas descidas ao inferno,
que queima intensamente minhas intensões,
desonestas e inconfessáveis,
mentiras verdadeiras,
sobre a realidade,
que visualizo diante da minha,
sensível cegueira,
do incontestável vislumbrar,
meu.
procurando a exclusão,
de tuas regressões,
escondo-me entre as grades,
para pedir permissão,
permissão de liberdade,
e recíproca honestidade,
desanimo em minha luta corporal,
contra meus eixos sensoriais,
que permeiam minhas descidas ao inferno,
que queima intensamente minhas intensões,
desonestas e inconfessáveis,
mentiras verdadeiras,
sobre a realidade,
que visualizo diante da minha,
sensível cegueira,
do incontestável vislumbrar,
meu.
01 Dezembro 2005
lágrimas
olhos inchados,
já não causam comoção,
palavras não ditas,
corroem a camada de perfeição,
que vos protege,
do mundo,
alheio,
ao sinismo debochado da tua,
voz,
que ecoam com o vento,
e causam imensa destruição intensa,
dedicada,
apague a luz!!!
é hora de sonhar.
já não causam comoção,
palavras não ditas,
corroem a camada de perfeição,
que vos protege,
do mundo,
alheio,
ao sinismo debochado da tua,
voz,
que ecoam com o vento,
e causam imensa destruição intensa,
dedicada,
apague a luz!!!
é hora de sonhar.
fantasmas
queria saltar de um prédio,
e sentir meu ser,
em pedaços,
mas em minha individualidade reles,
sinto medo de altura.
e sentir meu ser,
em pedaços,
mas em minha individualidade reles,
sinto medo de altura.
medo
medo da loucura,
que assola meus conceitos,
medo da imaginação,
invertida em tempos,
que apaziguam imagens retratadas,
silêncio da minha ignorância,
minha personalidade conservadora,
privada,
que procura desperada,
uma noção de verdade/realidade,
padrões inibidos,
infinitos preconceitos de amor.
que assola meus conceitos,
medo da imaginação,
invertida em tempos,
que apaziguam imagens retratadas,
silêncio da minha ignorância,
minha personalidade conservadora,
privada,
que procura desperada,
uma noção de verdade/realidade,
padrões inibidos,
infinitos preconceitos de amor.
sonhos
pesadelos noturnos,
diurnos, diários,
sonhos infinitos,
de impossíveis fatos...
devaneios,
pranto,
sinto não ter mais,
o quê todos sonham,
imagens da ilusão,
perdida na realidade ambígua...
desespero de perder o chão,
diante de teus pés,
que lavo-os agora,
paixão,
e tédio.
diurnos, diários,
sonhos infinitos,
de impossíveis fatos...
devaneios,
pranto,
sinto não ter mais,
o quê todos sonham,
imagens da ilusão,
perdida na realidade ambígua...
desespero de perder o chão,
diante de teus pés,
que lavo-os agora,
paixão,
e tédio.
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